O LIVRO LIVROU (Pra Criançada do Cidade Nova que participa na Biblioteca Comunitária CNI)
Reizinho aprendeu a ler por malandragem. Na sua casa, quando um dos irmãos fazia bagunça, todos apanhavam. - Tá fazendo arte, menino. Apanha todo mundo pra aprender com o exemplo. Ele era muito novo para entender os trâmites das injustiças, mas já revoltava: - Mas, eu não fiz nada! E apanhava mais uma vez por retrucar a autoridade dos pais. Certa vez encontrou um gibi velho na rua e pôs-se a ler as figuras num cantinho da casa. Como todos os dias vividos pelas crianças, um dos irmãos fez bagunça, e num efeito dominó foi um a um caindo na chinelada. Quando sua mãe o viu concentrado na leitura, se sentiu desarmada e não deu a rotineira correção, para não interromper sua leitura. Reizinho fantasiou que pela literatura poderia deixar de apanhar na vida. Os moleques da vila nunca foram muito afeitos à leitura, gostavam mesmo é de futebol. Reizinho sempre foi um legítimo perna-de-pau e na hora da escolha para formar os times, nunca era chamado. Ficava na reserva e raramente entrava em cam...